Marcha Zumbi +10

Espaço para divulgação da Marcha Zumbi +10, que ocorrerá no dia 16 de novembro de 2005, junto aos meios de comunicação, militância, mundo acadêmico entre outros.

9.13.2005

Sobre pintinhos e águias

Somos nós que parimos pintinhos e águias (detalhe, as e os).

Somos as mães do Acari, da Candelária, as cobaias exterminadas pela esterilização em massa, a maioria das chefes de família, as que continuam lutando pela paternidade responsável, e ainda, a maioria que morre de aborto ilegal nesse país.

Somos nós, mulheres negras, que acompanhamos o velório de nossos filhos, netos, sobrinhos, irmãos e vizinhos.
Continuamos levantando uma bandeira de luta com o coração em sangue e com a cabeça, que pede justiça em todos níveis.

Somos as quilombolas, as yalorixás que preservam os focos de resistência, as domésticas, as religiosas, as lésbicas, as diaristas, as advogadas, as médicas, as professoras, as enfermeiras, as empresárias, legisladoras, as profissionais do sexo,as professoras, as anônimas...

Somos mulheres negras de vários segmentos do movimento social que esperam a implementação das políticas de ações afirmativas acordadas em Durban para população negra.

Em 1995, a direita nos acusava de ser contra o governo, em 2005 a história se repete.

Ser mulher de verdade é não achar bonito não ter o que comer. Sempre estivemos e estaremos cobrando as nossas especificidades, seja no governo de direita, de esquerda ou de centro. Antes de ter participado da Fundação do Partido dos Trabalhadores na cidade de Santos, eu já ERA NEGRA E CONTINUO SENDO.

A população negra pensa, mulheres negras pensam. Não somos alienadas .

Reafirmamos a nossa posição de estar na Marcha do dia 16 por nossa própria conta e risco.

Quando alguma coisa nos faz mal, vomitamos, e não é por estarmos grávidas. Isso significa preservar a saúde mental.

Lélia Gonzalez, hoje no Orum e nós aqui no Ayê, continuando a trabalhar para mudar essa história de submissão, silêncio, estupro ideológico social e político .

Duas Marchas e a liberdade de optar por propósitos é hoje a decisão do Movimento Negro Brasileiro.

Enfim, entendo que chegamos a exaustão das discussões e a meta agora é trabalhar para que elas realmente aconteçam.

Violão não toca sem corda e não se faz passeata sem gente.

Ter em mente para estar lá com dignidade, sem estar pedindo ticket alimentação para nenhum governo. Sabemos que não se chega em Brasília à pé ou a cavalo. Sugiro que as associações de bairros, as Ongs, os ( as) profissionais liberais, os (as) autônomos (as), assalariados (as), funcionários (as) públicos, empregados (as) e desempregados (as) ou não, e + afins, entendam o significado de união para captar recursos e realmente fazer acontecer a explosão negra em Brasília.

Proponho que, as pessoas, mulheres e homens negros mostrem a sua cara respondendo aonde estão, para onde vão e no que acreditam. Não sejamos atores e atrizes de um palco iluminado.

Fátima, parabéns pela coragem, característica de nós, mulheres negras, que desde a Abolição desempenhamos um papel de resistência negra no país. Com certeza não estaremos lá como "Abre Alas que eu quero passar"...
Ânimo, não podemos fazer + Marcha à RE.

Esperamos que as nossas deusas e deuses continuem nos fortalecendo.

Nossa realidade é dura, mas tem raiz que segura.

Axé para todas (os).
Alzira Rufino, Mulher Negra.

3 Comments:

  • At terça-feira, 13 setembro, 2005, Anonymous Anônimo said…

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  • At quinta-feira, 15 setembro, 2005, Anonymous Fátima Oliveira said…

    Cara Sueli,

    Parabéns pelas lúcidas reflexões.
    De fato, os tempos são outros, não há mais ERA DA INOCÊNCIA...

    E o tempo corre, celeremente...
    Estou ficando agoniada com esse contador de tempo (segundo a segundo na página do BLOG...)

    Também parabenizo você, Édson e Márcio pelas brilhantes entrevistas em O TEMPO, dia 14/09/2005.

    Axé feminista,
    Fátima Oliveira

     
  • At quinta-feira, 15 setembro, 2005, Anonymous Anônimo said…

    GRANDE Alzira,

    O seu artigo é FANTÁSTICO!
    Eu o leio e releio e sinto força, garra e poesia. É memso a sua cara!

    Axé feminista,
    Fátima Oliveira

     

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